quarta-feira, 9 de abril de 2008

Hackescher Markt


Tagarelando sem parar e com a alegria estampada em seu belo rosto moreno, a destoar da maioria das pessoas que estavam ao seu redor dentro do vagão da S-bahn, Clara conversava animadamente com Natalie, sua sócia e grande amiga.

_Natalie, a viagem pra Roma foi ótima! Não só pela beleza da cidade dos Césares, também pelo carinho dos meus sogros. Don Afonso preparou uma pizza marguerita deliciosa na noite em que cheguei e Dona Isabella, foi um amor, me paparicava como a uma filha caçula!

_Imagino que tenha sido muito boa a viagem, esse seu sorriso denuncia, mesmo pra alguém que sorria à toa, você voltou diferente, digo, mais radiante!

_È, deve ter sido o clima mediterrêneo!

A conversa sobre Roma continua e a voz do S-bahn anuncia: “nächste halt, Hackescher Markt!”, era a hora de descer para o café que as duas haviam combinado para o fim daquele dia.

As portas abriram e as pessoas saiam e entravam naquele trem, as duas amigas seguiam pela estação alaranjada pelos tijolos aparentes. Desceram as escadas e ganharam à rua. O destino era a cafeteria. A loira e a morena entraram na loja, escolheram uma mesa próxima à janela, assim poderiam observar a paisagem, o ir e vir das pessoas e o vai e vem de VLTs do lado de fora.

Cardápio nas mãos, Clara escolhe um Capputinno e Natalie um Mocka Latte. O aroma do café se dispersa pelo ambiente, pequenos grupinhos aglomerados ás mesas, saboreavam os derivados dos grãos vindos do Brasil enquanto conversam animadamente.

Clara observa absorta o barista preparar seu Capputino, em sua arte do café perfeito, e Natalie anotava algo em seu palm durante esse período de silencio entre as duas amigas.

_É impressionante como fazemos da nossa vida uma arte... _exclamou Clara quase que pensando alto.
_Wie, bitte! _ se manifesta Natalie como que pegando o assunto no ar, sem entende-lo.
_Ah! Estava pensando alto, Nat! Observava o barista preparar nossas bebidas e acho que devaneei com a idéia de que fazemos arte com tudo. E cá estamos nós duas esperando para provar da arte do café e nossos clientes nos procuram para verem a arte de construir. Roberto vive cantarolando, ouvindo, percebendo sons para manter a arte de compor musicas. O pai dele enche o ar com farinha ao jogar a massa ao céu, na arte de fazer pizza. O meu pai antes de se aposentar, tentava convencer as pessoas de que a casa que estavam olhando era a casa dos seus sonhos, usando a arte de vender e minha mãe passa horas debruçada em uma máquina por amor a arte de costurar...
_Ach, Clara, realmente visitar Roma aflorou mais seu lado sensível à arte!
_É... Acho que sim... Bem não falei ainda que nós brasileiras nascemos com a arte da sedução no sangue! Heheheheeh!
_Echt? O que eu faço com todo esse seu ego?
_Nada, melhor você fazer algo com aquele homem que não tirou os olhos de você desde que se sentou sozinho naquela mesa! _Clara diz isso apontando discretamente com o olhar para a mesa do outro lado do salão da cafeteria.
_Ach! Você e suas brincadeiras! Você mesma disse que estava devaneando ao ver o barista preparar nossas bebidas, _a garçonete entrega os pedidos para as duas, acompanhado de um pequeno chocolate_ como pode ter visto alguém me observando?
_Ih! Sei lá, não entendo bem como funciona, consigo fazer algumas coisas ao mesmo tempo, acho que vi pela visão periférica, contudo ele está lá te olhando, por que não confere?

Tentando ser discreta, Natalie finge procurar algo na rua através da janela perto de onde o homem a observava e usando também a visão periférica, percebe que realmente ele a olhava. Um calor percorreu o corpo da loira, sua pele alva destoava do rosto que ficou ruborizado. O homem teria no máximo 40 anos, cabelos escuros pele branca, olhos verdes. Usava um terno marrom escuro, sapatos no mesmo tom camisa branca e gravata azul escura com listras brancas obliquas. Ele a olhava com um ar de interesse e por que não dizer encanto?

_Não disse? E aí, o que achou dele?
_Ele é bonito, gostei dos olhos dele!

Clara sorriu para a amiga, adorava vê-la agitada dessa maneira e já tinha seis meses que Natalie não se animava assim com uma paquera. O relacionamento com Stephan terminou bruscamente, com a morte prematura do rapaz em um acidente de moto na Ku dann. Talvez o subconsciente de Clara já esperasse por algo quando convidou a amiga para tomar um café na Hackescher Markt.

_Gostou? Então se prepare, pois ele está vindo nessa direção!
_Echt? Ai... O que eu faço agora?
_Seja a bela Natalie que você é!

Mal terminara de dizer isso e o homem estava ali de pé ao lado da mesa das duas. Um sorriso nos lábios e os olhos verdes iluminados miravam a loira encabulada como uma adolescente.

_Guten Abend! Incomodo se quiser conversar? _disse o homem para iniciar uma conversa.
_N’Abend! _respondeu clara_ sente-se conosco, acredito que é bem vindo! Como você se chama? _disse isso apontando uma cadeira mais próxima a Natalie onde o homem se sentou.
_Thomas Ränke, e vocês?
_Natalie Dreiecke
_Clara do Couto
_Sobrenome latino, oder?
_Sim, sou brasileira e optei por não usar o sobre nome do meu marido.
_Ach so! E você Natalie? Também é casada?
_Não, sou solteira... _respondeu a ele sorrindo.

Thomas sorriu também, iniciou-se uma conversa entre os três, naquela cafeteria, com as luzes baixas e o aroma do café impregnado na atmosfera. Clara via como era nítida a sintonia entre Thomas e sua amiga. Conversaram sobre vários assuntos e por um momento Clara se viu como espectadora, apenas observando aquele casal proferindo o diálogo, como se fossem amigos de muito tempo, o único silêncio naquela mesa era o de Clara, tanto que ela se sentiu na obrigação de deixar aqueles dois conversarem a sós.

_Amigos, infelizmente tenho de ir...
_Vou com você amiga...
_De maneira nenhuma, o strassenbahn passa aqui perto e imagino que vocês ainda têm muito o que conversar! _disse a morena piscando um olho para a amiga_ Herr Ränke, cuide bem da minha amiga, preciso dela amanhã no nosso escritório! _brincou com o homem, fingindo tom autoritário.
_Como desejar, Frau Couto!
_Então está bem! Nos vemos amanhã Nat! _clara levanta-se e beija a amiga_ E espero vê-lo em breve, Thomas! _apertou a mão do homem que também estava de pé.

A morena saiu do café, atravessou a rua e antes de dobrar a esquina, deu uma olhada para trás e pode ver que tomas segurava a mão de Natalie enquanto conversavam.

Um comentário:

Rose disse...

Hum..gosteiii..bem Naldianoo!!!
Bjo!