terça-feira, 27 de outubro de 2009

Corações em dois mundos

Corações em dois mundos, ou por que Will e Lyra assim como Susana e Caspian não terminam juntos.

Freqüentemente vemos filmes melosos de príncipes com florzinha na orelha, ao melhor estilo lágrimas para moças, onde os protagonistas se enlaçam em romance no meio de uma história, onde sabe-se lá porque a paixão se acomodou entre a trama e nos sentimos felizes com o final. Contudo nem só de finais felizes vive a literatura e demos graças a Deus por isso.

Somos humanos e estamos fadados a nos deparar com situações em que sonhos são apenas sonhos, onde o não existe e o meu querer não é o suficiente para o resto do mundo.

Neste pequeno artigo, contando apenas com a minha leitura sonolenta antes de dormir ou correndo os olhos pelas telas, pretendo fazer uma rápida analogia sobre o deixar para trás um sonho em prol de algo maior e assim entender como uma lição de dois conterrâneos, nada contemporâneos entre si, pode nos fazer seguir em frente com a vida.

Para quem não sabe a quem se refere o título deste artigo, eu me refiro aos personagens principais de duas obras literárias inglesas: Trilogia Nas fronteiras do Universo e Crônicas de Nárnia.

Mas quem são eles? Pergunta o incauto que caiu de pára-quedas neste texto e não conhece os casais que aqui apresentei.

Lyra é uma doce menina de 12 anos. Doce nada, em muito ela me lembrou a Mônica do Limoeiro, mandando e desmandando em todos, a dona da rua, no caso, a dona da Universidade em que morava. Por conta de seu melhor amigo ter sido raptado por uma organização misteriosa, Lyra abandona a Universidade, seu passado e a bela e plastificada Mãe, mais mandona que ela, para salvar o amiguinho.

Nesta empreitada ela descobre novas culturas, novos seres, novas civilizações, indo onde nenhuma menina mandona jamais esteve.

Will é um menino normal, destro, sem conta no Bradesco e até onde se sabe, Inglês, que teve o pai dado como morto numa expedição no Ártico e tem uma mãe com problemas não muito explicados durante a trama de Pullman.

Ele encontra uma “janela" entre seu mundo e outro no meio de uma praça enquanto fugia de pessoas que queriam pega-lo por conta, em suas suspeitas, pelo que aconteceu ao seu pai.

Will e Lyra se encontram neste mundo novo, que mais parece um paraíso mediterrâneo, onde só vivem jovens e tudo parece legal.

Nada é perfeito, não? Claro, o mundo era caótico, pessoas eram drenadas por seres espectrais quando ficavam mais velhas e Will e Lyra, para melhorar suas vidas, ganham de presente uma faca amaldiçoada que abre fendas entre mundos.

Will e Lyra vivem poucas e boas, um acaba dependendo do outro, um protege o outro e claro, com isso tudo, se apaixonam.

Pausa.

Voltemos no tempo, e aportemos na estação de metrô onde os irmãos Pevenies são quase que tomados de seu solo para voltarem a Nárnia 1300 anos depois deles mesmos terem vivido uma vida incrível como reis.

Os irmãos são estrangeiros, porém reis deste mundo, que agora é assolado por uma regência que quer extinguir com todos os narnianos. Caspian é o príncipe deposto que invoca os antigos reis para ajuda-lo a recuperar seu reino e devolver a paz a Nárnia.

Susana, a irmã mais velha e Caspian parecem descobrir um sentimento recíproco e no meio dos altos e baixos das aventuras escritas por Lewis eles então se descobrem apaixonados.

Ponto comum, assim como Lyra e Will, Susana e Caspian são estrangeiros naquele mundo estranho onde os sentimentos afloram, seus olhares se cruzam e em algum momento eles terão de voltar para casa.

Como então deixar parte de si em outro plano e voltar pra casa como se nada tivesse acontecido?

A resposta é simples: Não dá!

Lyra precisa voltar pra casa e deixar Will retornar a Oxford que ele conhece e tanto um quanto o outro só terão como consolo o beijo que trocaram e as lembranças um do outro.

Susana e Caspian também precisam decidir sobre a volta. A bela precisa voltar com seus irmãos para Londres e o Rapaz tem um mundo inteiro para governar. Um beijo eles trocam e como conforto ela diz a ele:

_Isso nunca daria certo, eu tenho 1300 anos a mais que você!

Mais uma vez, apenas beijos e momentos interessantes que cada um irá guardar consigo, pois é fato, nunca mais se verão.

No final das contas o que esses sábios ingleses querem nos dizer é que a vida é assim mesmo, às vezes se ganha às vezes se perde e em alguns momentos, devemos perder para ganhar.

Será que eles encontrarão alguém especial dali a alguns anos?

Acredito que sim. Não vejo Lyra como uma solteirona solitária tagarelando sem parar com seu Deamon. Susana não será a tia Gorda e chata com uma casa cheia de gatos. Will terá uma família para chamar de sua e filhos para não abandonar, como se sentiu abandonado pelo pai que pouco conheceu. Caspian terá uma prole suficiente para garantir o destino de Nárnia.
Como sei disso? Na verdade não sei, como disse antes, apenas especulo com minha pobre e doentia imaginação, contudo aprendo com o exemplo de personagens mais fortes que eu, que do passado nos resta apenas as lembranças, os beijos, as fotos e o hoje é a garantia de um futuro melhor, sempre!

Paz e bem.

5 comentários:

E. L. Zerfas disse...

Vero!
Aceitar, a partida é o primeiro passo. Compreender que é necessario é o segundo para que construamos novos sonhos!
Bjs

Cláudia disse...

Que bosta não se viver o amor (?) que se quer naquele momento. Confesso que esse papo de resignar-se com o amor não vivido é para os tranquilos de coração, o que, obviamente, não é o meu caso.
De qq forma, são sim, seres mais abnegados, ligados na dinâmica moderna do: "q venha o próximo da fila" e mais irreais que nós, reles mortais...

Naldus disse...

Clau, vcnão entendeu o espírito do artigo, não se trata de amores fúteis nem merasfrivolidades, esim de amor incondicional, capaz de oblação por um bem maior. isso é muito complexo e se fosse fácil realizar o mundo não seria o que é hoje.

Quando Lira e will se separam, sabendo q nunca mais se veriam para que os mundos não entrem em colápso ou q algum deles degrade-se ficando no mundo do outro a decisão do "pode tirar" é dolorosa mas aceita. de qualquer maneira ainda acho q seja complicado explicar isso...

Cláudia disse...

Volto a dizer: isso não é para nós, reles mortais.

Eu conheço a história de Nárnia, sei do q se trata, apenas fiz uma analogia com os tempos atuais, onde tb se descartam pessoas como se fossem folhas de papel sem serventia. Infelizmente sem um décimo da paixão ou do romance, ou da força que os seus personagens citados dispunham.

oqueaconteceuhoje disse...

Achou que eu não ia comentar né?
Demorei mas apareci!

Muito legal seu texto!
É, dedixar uma paixão para trás não é fácil nem neste mundo, nem naquele!
Mas acho que isso também não fecha o cadeado de um coraçãozinho... o tempo passa, a paixão dissipa, e puff, surge alguém!
=)

Beijos!
Maria Fernanda
www.oqueaconteceuhoje.wordpress.com