segunda-feira, 18 de agosto de 2008

De repente trinta


Embora o título do post seja o mesmo daquele filme, óbvio que o enredo deste artigo será bem diferente. Só queria externizar o meu sentimento de que, caramba, já vi passar três décadas. O tempo passa, o tempo voa e a poupança bamerindos nem existe mais!

Então, como a maioria das pessoas normais, isso é discutível, resolvi comemorar o milagre da vida ou o PQP menos um ano na crosta terrestre (escolha o que te agradar mais) em uma festa ao meu estilo; trevosa.








Como todo preparativo de festa, a primeira coisa que encontrei foi a própria, Goth Box é o nome, programada par ao dia 16 desse mês e com uma lista de musicas divididas em rock e eletrônico, achei perfeito. Sendo assim, o segundo passo foi convidar os amigos.







Pausa para comentário tão sarcástico quanto o autor dessa bagaça: Lista de endereço de mail e orkut nada significam, são apenas nomes, letras números, se você parar para pensar, até esse blog, que ta na sombra por ser muito branco, quase albino e não usa protetor solar, é só um monte de palavras jogadas e sem sentido, no final o sentido só existe com a interação, ou seja, eu perco meu tempo escrevendo e você lendo, todavia eu fico feliz por você estar lendo o que eu escrevo e ficaria muito feliz se ao menos um terço das pessoas a quem enviei o convite tivessem tido ao menos a boa vontade de terem respondido um me esquece e não me mande mais span!

Voltando a programação anormal: poucos foram os que responderam (não me refiro aos que realmete levam uma vida sem tempo e estressada, pois sei que nem todos conseguem fazer mil coisas ao mesmo tempo como eu, mas sim a todos que não reponderam por que não quiseram!), levando em conta o numero de convites que eu distribuí e o que mais gostei foi do numero de justificativas e argumentos para explicar a ausência na festa, aqui vai algumas:

“Desculpe, mas você não poderia comemorar em algum lugar mais normalzinho?” Eu que deveria pedir desculpas por ser anormal e insistir em manter contato.

“Sinto muito mas não poderei ir, não curto esse tipo de música!” Certo, eu que sou um idiota, por odiar pagode e ir a uma festa na laje com gente batucando e fazer esse esforço por imaginar que se eu fui convidado é por imaginar que eu seja querido e que minha presença seria importante (ah, tá viajando, quem se importa?), contudo um amigo meu disse que não devemos esperar atitudes nossas nos outros e ele tem toda a razão.

Depois disso, finalmente eu arrumei uma lista de convidados. Entrei em contato com o organizador da festa e consegui colocar os nomes dos meus amiguinhos na lista de desconto. Estava indo tudo bem até eu ligar algumas horas antes de sair de casa para uma pessoa Suuueeeeeer especial e descobrir que não iria.

Silêncio sepulcral.

Reflexão de boteco, após 5 doses de 51 com velho-barreiro, Pitu e Atitude, pois todos devemos tomar uma atitude um dia.

O tempo voa e com isso tudo na vida muda. As coisas que penso hoje não são as mesmas que pensava com 10, que são outras de quando tinha 20 anos. E tudo na vida muda. Por mais que eu quisesse que alguns amigos do ensino médio ainda fizessem parte da minha vida, a realidade é outra, muita coisa fica pelo caminho. Percebi que daquela lista apenas 4 pessoas estariam lá realmente e o que mais me intrigou foi ver que elas não faziam parte da minha vida há cinco anos. Isso me deixou triste? Claro! Entretanto a vida é assim mesmo, ciclos que se renovam como nós mesmos, mudando a todo o tempo e acredito que com muito carinho, ainda terei essas quatro pessoas por perto por muito tempo, sendo assim, joguei a tristeza no vaso e dei a descarga!

Fim de reflexão etílica.

A festa estava ótima e a musica perfeita, tão perfeita que tivemos o prazer de observar alguns estilos de dança gótica, pra você que não sabe exatamente o que é isso, achei na desciclopédia um guia rápido sobre o tema:

Manual de dança Gótica

Segundo o bailarino Cruzcredo de Jesus, há 4 níveis de dança gótica diferentes, que abrangem desde as músicas mais lentas até as mais "porrada". Alguns estilos abrangem tipos de música diversificados, ou seja, tanto servem para se movimentar enquanto toca uma coisa quanto pra outra totalmente diferente (como no exemplo de eletronico e gothic metal).


O manual a seguir foi escrito por um expert no assunto, ilustríssimo MorningStar.



Nível 1: new age anos 80 chapado tipo Bauhaus, Minimal, Ethereal, Darkwave, Funeral Doom, Dead Can Dance.
Movimente-se. Mas saia pouco de seu eixo principal. Melhor é só dar um passo. Assim que dar um passo numa direção, dê um passo na direção diametralmente oposta. É o típico "vai-e-vem", pra frente e pra trás, braços soltos, cigarro aceso, olhando pro chão como se isso fosse uma experiência extravagante, mística e de doer os tímpanos. Pode ser para um lado ou pro outro, porém o mais comum é pra frente e pra trás, tentando imitar uma postura mais bêbada do que a verdadeira.
Também conhecido como "gótico indeciso".



Nível 2: anos 80 tipo animado, new wave, synthpop, eletro-eletrônicos diversos, gothic metal
Subdivide-se em 3 grupos:


a) Catando uva da macieira
O gótico abre as pernas em uma posição que o permita um razoável nível de equilíbrio corcunda. Ele lança suas mãos ao ar como se desejasse ardentemente alguma coisa etérea, mas assim que a alcança, puxa-a de volta com força, deixando o outro braço na posição para buscar o mesmo pote de ouro no fim do arco-íris na posição diametralmente oposta. O principal eixo de rotação e sustentação é a cintura.
Pode-se dançar abrindo e fechando os braços, mas o risco de acertar alguém, sobretudo ao se segurar cigarros acesos, e provocar uma briga com um jagunço que nem precisava estar presente é alto.
Também há a versão voltada para o chão, olhando para baixo e puxando algo dos escombros da pista de dança para o alto. Muito comum nos anos 80, era conhecida como "catando moeda perdida". Foi paulatinamente sendo abandonada pois, em recintos como o Madame Satã, embora o gótico não enxergasse de fato nada e não quisesse pegar nada do chão, algumas vezes, não volitivamente, algo voltava junto com sua mão. Variavam de bitucas de cigarro, copos de vinho usado e poças de esperma, mas conta-se que até um rato foi encontrado dessa forma.


b) Parede I Love You
Volte-se para a parede. Não é só uma questão de dançar voltado pra ela. Tem toda a côrte, o ritual de conquista, o flerte, a troca de olhares com as trevas. Depois, chega-se de mancinho, dá um beijinho, pega na mão - ou pelo menos passe a mão ali, sei lá. Mas o que importa é que gótico é romântico, não chega chegando. Só dance mais provocativamente depois da 4.ª música sem ninguém esbarrar em você e te jogar alguns casais escondidos à distância.

c) O Vôo Rasante das Garras Transilvânicas
Eu não sei muito sobre esse estilo. Mas aconteceu comigo o seguinte: estava eu a "dançar" como um condenado na maravilhosa e super-trevas písta do Madame. Não mais que de repente, percebo que um ser vivo (quer dizer, ao menos se mexia) "dançava" ao meu lado jogando o sobretudo com todo o ímpeto para os lados. E o percebi, pois o sobretudo veio em minha direção com tal ímpeto, tal garra, tal vontade que encobriu minha visão e tudo o mais, transformando a pista em que se vê tudo ou muito claro, ou muito escuro em um muito-escuro eviterno por alguns instantes.
Em pouco tempo, já não sabia se estava enrolado dentro de sobretudo, de uma bunda ou de um buraco negro. Não sei bem como se faz isso, mas deve ser legal para pessoas tímidas ou agressivas demais que precisam caçar um bípede em ciclo sexual desperto nas noites escuras.

Nível 3: EBM (Tronco)
Abra as pernas como se precisasse tirar fotos para um CD de
black metal. Isso. É exatamente essa posição! Agora, fixamente, segurando os braços e tudo o que possa se mexer além de sua coluna, jogue o tronco para frente e para trás, como se você fizesse sexo com a nuca, e não com movimentos na área dos glúteos.
Ridículo? Pois é. Mas sempre dá pra comer alguma
skinhead com isso.

Nível 4: powernoise,
black metal, industrial porrada.
O nome desse nível é "ataque epiléptico". Não sei se a descrição se faz necessária.

Fonte:
http://desciclo.pedia.ws/wiki/G%C3%B3tico











O parede I Love You foi o passo melhor executado da festa inteira por uam gatinha do Suicide Girl

Se por um lado alguns amigos furaram e não deram o ar de sua graça, seja por problemas técnicos, ou por acharem que são bichinhos de luz e não podem entrar em lugares escuros depois da meia noite, por outro lado celebridades das trevas estavam lá e prestigiaram minha comemoração, não mais que meus amigos.


Dona morte pediu o noite de folga colocou um estagiário na função e deu umas moedinhas para Caronte levá-la até a Praça Tiradentes, isso sem antes deixar as instruções de pega-la logo que a festa acabasse. Cara, dona Morte dança muito!










O tio Ozzy ficou meio chateado ao saber que no bar não serviam petisco de cabecinhas de morcegos empanadas, por isso não deu uma demosntração de O vôo rasante das garras transilvanicas, apenas dançou bastante e tirou fotos com dona Morte e Lydia.






Falando nela, é claro que Bettlejuice estava lá a acompanhando e mandou-me lembranças do Tin Burton, gostei muito desse cara.







Quem não precisava ter ido foi o marlyn maison, que eu chamo de babykicha, não gosto das musicas dele, blerg!











Outra figurinha que encontrei por lá foi o bonequinha de porcelana. Tá bom o cara é emo, eu sei, mas tava lá, de corpete amarrado, mini-saia de babadinhos, meia arrastão preta e mais uma arrastão sete oitavos azul. O detalhe legal foi a franja roxa.

Mesmo assim, pra mim, as meninas do suicide girls estavam roubando a cena!





A festa bombou, nos divertimos muito, tiramos fotos rimos de nós, dos outros e teve uma hora que eu ri do papo do Curupira com o Saci brigando por uma caipirinha.



No final, esticamos até o Sinuca onde tive o prazer de ver um garçom assanhado roubando um beijo de uma cliente alemã!

Foi muito bom!



E para finalizar umas palavras para justificar a minha total falta de noção para rir de mim mesmo e ao mesmo tempo explicar alguma coisa sobre essa subcultura a que faço parte:

“Acima de tudo, convém lembrar que, para a grande maioria dos integrantes, o movimento gótico é fundamentalmente um gosto musical e uma maneira específica de se vestir. Não há envolvimentos intelectuais e filósofos mais aprofundados. Góticos não se prendem a depredar cemitérios ou beber sangue de seus amigos. Podem ora mostrar, a luz, ora as trevas, um complementa o outro, um verdadeiro gótico sabe disso. Concentrar-se em conviver e se aprofundar em seus problemas ( e não em fugir pelo suícidio), góticos não são depressivos, não se referem à subcultura como Goticismo, não usam somente preto e se frequentam cemitérios é pela temática do mistério de morte e vida, pelo apreço pela arte também. Mais realistas do que se pensa, ser gótico hoje em dia representa também repugnar todo o estéreotipo negativo criado em torno de sua figura. E com todo o seu seu sarcasmo, rir e continuar a dançar.”

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%B3tico_%28estilo_de_vida%29



Ester, eu, Tati e Rogério

Rogério, Tati eu, e Marcela

Tati fazendo cara de mal.

Ester e Eu


Te vejo na próxima festa!


Ps: Embora eu seja bem convincente ao escrever, este post não representa a realidade na íntegra, alguns fatos foram mascarados, mudados, maquiados, tiveram as unhas pintadas de preto para combinar com o batom e sairam pra dançar uma pancada do Rammisten, portanto não leve a sério ou faça cóssegas!

Um comentário:

E. Lauffer Zerfas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.