sexta-feira, 30 de julho de 2010

Chocolate


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Torpe sensação demasiada estranha
Corroendo o ser sem a menor clemencia
Seja lá qual for a demencia
Seja lá qual for a verdade
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Apenas pobre alma atormentada
Sentindo o vazio da simples existencia
Quem sabe um dia fez pertência
A algum tipo de normalidade
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Reage oh vivente sôfrego
Do cacau serve-se a essência
Apaixonado o sabor em vivência
Faz-se maravilhas à alma enferma
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Deleitado ao sabor de pura calda
Amarga ou ao leite, que assim o seja
Pouco importa, desde que aqui esteja
Derretida sobre mim para o teu prazer
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Até magia das trevas antídoto se torna
Como não, assim espero, o meu humor melhora
Só a imagem fixada em minha vista, agora
Tu, eu e chocolate, sem demora
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Pobre sonhador em pensamentos emergido
Vagueia sozinho sobre o doce idealizado
Sofre despedaçado coração achocolatado
Largado a um canto, sem amor açucarado
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Nem todo o chocolate do mundo pode salvar uma alma amargurada...
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Naldo Costa

Um comentário:

Cláudia Costa disse...

"Nem todo chocolate do mundo pode salvar uma alma amargurada."

Absurdamente forte, lindo e meio amargo. Na medida seu chocolate,não engorda, não enjoa, alimenta, sacia. Encantei-me com as palavras bem dispostas, com o sentido delas, com o coração sempre tão viajante, tão constantemente agridoce.

Eu amo o amigo das palavras aqui escritas, amei o texto, mesmo sem amar o tal chocolate.

Você se superou. Linda poesia. Palavras perfeitas e sentidos vários. Redundantemente, amo.